This study draws the attention to the finding of anti-Semitic representations in Braga that, dated back to
the early-16th century, sheds new light on the study of the iconography of body in Portugal, since the
improper representation of the Jew body - distorted, beastly and grotesque - played a major part in the
visible in tolerance to this people. The notion that Israel’s heirs belonged to a “flesh community” leaped from
theological works to visual arts, in an attempt to highlight their inferiority before the Christian society.
It is our intention to present the context of Braga that not only regarded Jews as canids, but also showed
them as souls doomed to a cruel fate in the afterlife. Though performed in an era in which Jews were already
new-Christians, the hate for the converted was still evident in the mentality of the Portuguese society.
In summary, we wish to engage a new approach concerning the historiography of body in Portugal by
showing how Portuguese artists depicted the Jew body and how were those representations preserved in the
pictures.
O presente estudo vem chamar a atenção para o achado de representações antissemitas na cidade de
Braga que, datadas de inícios do século XVI, vêm proporcionar mais um contributo para a iconografia do
corpo em Portugal já que a inadequada figuração do corpo do judeu – disforme, animalesco e grotesco –
teve um papel importante na promoção da intolerância face a este povo. A ideia de que os herdeiros de
Israel pertenciam a uma “comunidade carnal” saltou das obras teológicas para a artes visuais a fim de se
vincar a sua inferioridade perante a sociedade cristã.
Será nossa intenção apresentar o panorama bracarense que, como veremos, assemelhou os judeus a
canídeos assim como os apresentou sob a condição de almas prestes a sofrer um destino penoso no além.
Mesmo que tenham sido executadas numa época em que os judeus já se encontravam sob a condição
de cristãos-novos, o ódio pelos recentes convertidos continuou bem patente na mentalidade da sociedade
portuguesa. A cidade dos Arcebispos assim como muitas outras, continuaram a realizar as judengas, que já
vinham do período medieval, e cujo intuito era o de demonizar os judeus e relembrar os seus descendentes
dos seus pecados passados, através de danças teatrais.
Em suma, propormo-nos avançar com novas abordagens em relação à historiografia do corpo em Portugal
demonstrando como é que os artistas portugueses deram forma ao corpo negativo dos judeus e como e
que essas representações foram preservadas nas imagens.
This study draws the attention to the finding of anti-Semitic representations in Braga that, dated back to
the early-16th century, sheds new light on the study of the iconography of body in Portugal, since the
improper representation of the Jew body - distorted, beastly and grotesque - played a major part in the
visible in tolerance to this people. The notion that Israel’s heirs belonged to a “flesh community” leaped from
theological works to visual arts, in an attempt to highlight their inferiority before the Christian society.
It is our intention to present the context of Braga that not only regarded Jews as canids, but also showed
them as souls doomed to a cruel fate in the afterlife. Though performed in an era in which Jews were already
new-Christians, the hate for the converted was still evident in the mentality of the Portuguese society.
In summary, we wish to engage a new approach concerning the historiography of body in Portugal by
showing how Portuguese artists depicted the Jew body and how were those representations preserved in the
pictures.
O presente estudo vem chamar a atenção para o achado de representações antissemitas na cidade de
Braga que, datadas de inícios do século XVI, vêm proporcionar mais um contributo para a iconografia do
corpo em Portugal já que a inadequada figuração do corpo do judeu – disforme, animalesco e grotesco –
teve um papel importante na promoção da intolerância face a este povo. A ideia de que os herdeiros de
Israel pertenciam a uma “comunidade carnal” saltou das obras teológicas para a artes visuais a fim de se
vincar a sua inferioridade perante a sociedade cristã.
Será nossa intenção apresentar o panorama bracarense que, como veremos, assemelhou os judeus a
canídeos assim como os apresentou sob a condição de almas prestes a sofrer um destino penoso no além.
Mesmo que tenham sido executadas numa época em que os judeus já se encontravam sob a condição
de cristãos-novos, o ódio pelos recentes convertidos continuou bem patente na mentalidade da sociedade
portuguesa. A cidade dos Arcebispos assim como muitas outras, continuaram a realizar as judengas, que já
vinham do período medieval, e cujo intuito era o de demonizar os judeus e relembrar os seus descendentes
dos seus pecados passados, através de danças teatrais.
Em suma, propormo-nos avançar com novas abordagens em relação à historiografia do corpo em Portugal
demonstrando como é que os artistas portugueses deram forma ao corpo negativo dos judeus e como e
que essas representações foram preservadas nas imagens.