Fantastical images of the human body emerge in all expressions of material culture, civilisations and locations.
Particularly recurrent in the literature and visual arts of Classical Antiquity, they reveal a practice that goes
against mimesis praxeos physeos, because although they are based on references to real models of rule or
exception, they involve a process of emphasizing and rearranging their parts, often mixed with elements from
other species.
Rather than simple anatomical reconfigurations that demonstrate the fictional side of paganism, these
anthropomorphised reinventions show a predisposition to expressive self-representations (caricatured or
idealised) arising from self-criticism and promotion exercises (in a highly psychosomatic relationship). They
decry Man's aspiration to be a demiurge of new forms and lives, and attest to his desire to overcome physical
and cognitive limitations, and to surpass his mortal, earthly condition.
This text discusses these recreations in Roman mosaics in the Iberian Peninsula and highlights their value
as key elements for knowing about culture at the time and for interpreting the metaphorical meaning of
mythological narratives.
As imagens fantasiosas do corpo humano surgem em todas as manifestações da cultura material,
civilizações e geografias. Especialmente recorrentes na Literatura e nas Artes Plásticas da Antiguidade
Clássica, denunciam uma prática contrária à mimesis praxeos physeos, pois embora partam da
referenciação em modelos reais de norma ou exceção, envolvem um processo de enfatização e
recombinação das suas partes, amiúde conjugadas com elementos de outras espécies.
Mais do que simples reconfigurações anatómicas que provam a dimensão ficcional do paganismo,
estas reinvenções antropomorfizadas revelam a predisposição para as auto-representações expressivas
(caricaturais ou idealizadas) decorrentes de exercícios de auto-crítica e promoção (numa estreita relação
psicossomática), denunciam a aspiração do Homem a demiurgo de novas formas e vidas, e atestam o
desejo de ultrapassar as próprias limitações físicas e cognitivas, bem como de superar a condição mortal e
terrena.
Neste texto debruçamo-nos sobre essas recriações na musivária romana peninsular e realçamos o seu
valor como elementos-chave para o conhecimento da cultura coeva e para a interpretação do sentido
metafórico das narrativas mitológicas.
Fantastical images of the human body emerge in all expressions of material culture, civilisations and locations.
Particularly recurrent in the literature and visual arts of Classical Antiquity, they reveal a practice that goes
against mimesis praxeos physeos, because although they are based on references to real models of rule or
exception, they involve a process of emphasizing and rearranging their parts, often mixed with elements from
other species.
Rather than simple anatomical reconfigurations that demonstrate the fictional side of paganism, these
anthropomorphised reinventions show a predisposition to expressive self-representations (caricatured or
idealised) arising from self-criticism and promotion exercises (in a highly psychosomatic relationship). They
decry Man's aspiration to be a demiurge of new forms and lives, and attest to his desire to overcome physical
and cognitive limitations, and to surpass his mortal, earthly condition.
This text discusses these recreations in Roman mosaics in the Iberian Peninsula and highlights their value
as key elements for knowing about culture at the time and for interpreting the metaphorical meaning of
mythological narratives.
As imagens fantasiosas do corpo humano surgem em todas as manifestações da cultura material,
civilizações e geografias. Especialmente recorrentes na Literatura e nas Artes Plásticas da Antiguidade
Clássica, denunciam uma prática contrária à mimesis praxeos physeos, pois embora partam da
referenciação em modelos reais de norma ou exceção, envolvem um processo de enfatização e
recombinação das suas partes, amiúde conjugadas com elementos de outras espécies.
Mais do que simples reconfigurações anatómicas que provam a dimensão ficcional do paganismo,
estas reinvenções antropomorfizadas revelam a predisposição para as auto-representações expressivas
(caricaturais ou idealizadas) decorrentes de exercícios de auto-crítica e promoção (numa estreita relação
psicossomática), denunciam a aspiração do Homem a demiurgo de novas formas e vidas, e atestam o
desejo de ultrapassar as próprias limitações físicas e cognitivas, bem como de superar a condição mortal e
terrena.
Neste texto debruçamo-nos sobre essas recriações na musivária romana peninsular e realçamos o seu
valor como elementos-chave para o conhecimento da cultura coeva e para a interpretação do sentido
metafórico das narrativas mitológicas.