A quantificação do estatuto socioeconómico em populações contemporâneas e históricas: dificuldades, algumas orientações e importância na investigação orientada para a saúde
A quantificação do estatuto socioeconómico em populações contemporâneas e históricas: dificuldades, algumas orientações e importância na investigação orientada para a saúde
Socioeconomic inequalities in health and disease are a reflection of the
social organization of any society. Socioeconomic status (SES) is seen as acting to stratify human populations into groups that expose individual health to either positive or negative environments. Thus, health researchers have developed measures
of SES in order to quantify relative social factors in the environment that affect
human health and basically that is achieved by using indicators that provide empirical information about the relative position of an individual in the social hierarchy.
Having discussed the scope and particular limitations of the main measures of SES
(occupation, education and income) in the study of present and past populations, it is concluded that each indicator measures different components of SES and therefore,
the choice of how to measure SES will remain open and dependent on a number
of factors, especially availability of data with respect to historical research. Additionally, a model will be presented that wishes to conceptualise SES in a “downstream‑upstream”perspective, by linking SES to more proximate mechanisms that
affect people’s susceptibility to disease and to more distant causal pathways that areresponsible for creating and maintaining the social structure in the society.
As desigualdades socioeconómicas na doença e na saúde são o reflexo da
organização social de qualquer sociedade. A investigação epidemiológica e antropológica
actual na área da saúde considera o estatuto socioeconómico (ESE) como
actuando para estratificar as populações humanas em grupos que expoêm a saúde
individual, ora aos riscos, ora aos benefícios que o ambiente físico e social proporciona.
Nesta medida, vários investigadores têm desenvolvido medidas do ESE
de modo a quantificar a influência relativa dos factores sociais do ambiente que
afectam, positiva ou negativamente, a saúde humana. Esta quantificação tem sido
conseguida através da utilização de indicadores que fornecem informação empírica
acerca da posição relativa de um determinado indivíduo na hierarquia social.
Neste trabalho discute‑se o alcance e as principais limitações dos mais importantes
indicadores do ESE, nomeadamente a ocupação profissional, o grau de instrução e
o rendimento económico, no estudo de populações actuais e pretéritas. Conclui‑se
que cada indicador avalia componentes diferentes do ESE e, consequentemente,
isso determinará a sua escolha, ficando dependente de vários factores, sendo que
em períodos históricos ela estará fortemente condicionada à disponibilidade de
dados. No final deste trabalho é apresentado um modelo teórico que pretende conceptualizar
o conceito de ESE numa perspectiva mais global e multidimensional.
No modelo, pretende‑se estabelecer a ligação do ESE a mecanismos a jusante que
determinam a susceptibilidade dos indivíduos à doença, e a mecanismos causais
a montante que são responsáveis pela criação e manutenção da estrutura social de
qualquer sociedade.
Socioeconomic inequalities in health and disease are a reflection of the
social organization of any society. Socioeconomic status (SES) is seen as acting to stratify human populations into groups that expose individual health to either positive or negative environments. Thus, health researchers have developed measures
of SES in order to quantify relative social factors in the environment that affect
human health and basically that is achieved by using indicators that provide empirical information about the relative position of an individual in the social hierarchy.
Having discussed the scope and particular limitations of the main measures of SES
(occupation, education and income) in the study of present and past populations, it is concluded that each indicator measures different components of SES and therefore,
the choice of how to measure SES will remain open and dependent on a number
of factors, especially availability of data with respect to historical research. Additionally, a model will be presented that wishes to conceptualise SES in a “downstream‑upstream”perspective, by linking SES to more proximate mechanisms that
affect people’s susceptibility to disease and to more distant causal pathways that areresponsible for creating and maintaining the social structure in the society.
As desigualdades socioeconómicas na doença e na saúde são o reflexo da
organização social de qualquer sociedade. A investigação epidemiológica e antropológica
actual na área da saúde considera o estatuto socioeconómico (ESE) como
actuando para estratificar as populações humanas em grupos que expoêm a saúde
individual, ora aos riscos, ora aos benefícios que o ambiente físico e social proporciona.
Nesta medida, vários investigadores têm desenvolvido medidas do ESE
de modo a quantificar a influência relativa dos factores sociais do ambiente que
afectam, positiva ou negativamente, a saúde humana. Esta quantificação tem sido
conseguida através da utilização de indicadores que fornecem informação empírica
acerca da posição relativa de um determinado indivíduo na hierarquia social.
Neste trabalho discute‑se o alcance e as principais limitações dos mais importantes
indicadores do ESE, nomeadamente a ocupação profissional, o grau de instrução e
o rendimento económico, no estudo de populações actuais e pretéritas. Conclui‑se
que cada indicador avalia componentes diferentes do ESE e, consequentemente,
isso determinará a sua escolha, ficando dependente de vários factores, sendo que
em períodos históricos ela estará fortemente condicionada à disponibilidade de
dados. No final deste trabalho é apresentado um modelo teórico que pretende conceptualizar
o conceito de ESE numa perspectiva mais global e multidimensional.
No modelo, pretende‑se estabelecer a ligação do ESE a mecanismos a jusante que
determinam a susceptibilidade dos indivíduos à doença, e a mecanismos causais
a montante que são responsáveis pela criação e manutenção da estrutura social de
qualquer sociedade.