Certain experiences with a strong corporal dimension, such as the amputation
of a limb, the loss of a sensory ability or the onset of a serious organic dysfunction,
carry strong implications for the personal histories of the subjects who
endure them. Those events imply an ontological violence that goes further than the
phenomenological and biological strains involved in the transformation of the body:
the cultural descriptions available permeate that transformation and that violence.
But, on the other hand, this sort of experience blatantly de‑authorizes a constructivism
which, while fighting the power of modern essentialist ideologies of “biology
is destiny”, neglected, often to the limit, dimensions of existence where the lived
body assumes irredeemable centrality. Grounded on an ethnographic account of
the experiences of blind people, these questions will be grappled with through the
notion of “anguish of corporeal transgression”.
Determinadas experiências de compleição marcadamente corpórea, como
sejam a amputação de um membro, a perda de um sentido ou o surgimento de uma
disfuncionalidade orgânica gravosa, carregam consigo, não custa supor, fortíssimas
implicações para a história pessoal dos sujeitos que as vivenciam. A violência
ontológica passível de decorrer de tais eventos não se confina às implicações biológicas
e fenomenológicas da transformação radical de um corpo/sede, conquanto as
próprias descrições culturais permeiam essa transformação e essa violência. Mas,
por outro lado, este tipo de experiência exprime, em termos gritantes, a insustentabilidade
de determinado construtivismo que, ao procurar elidir o peso moderno
de ideologias essencialistas de “biologia‑como‑destino”, negligenciou, muitas
vezes ao limite, dimensões de existência em que o corpo vivido recolhe insolúvel
centralidade. A partir de uma leitura etnográfica da cegueira, estas questões serão
exploradas através da ideia de “angústia da transgressão corporal”.
Certain experiences with a strong corporal dimension, such as the amputation
of a limb, the loss of a sensory ability or the onset of a serious organic dysfunction,
carry strong implications for the personal histories of the subjects who
endure them. Those events imply an ontological violence that goes further than the
phenomenological and biological strains involved in the transformation of the body:
the cultural descriptions available permeate that transformation and that violence.
But, on the other hand, this sort of experience blatantly de‑authorizes a constructivism
which, while fighting the power of modern essentialist ideologies of “biology
is destiny”, neglected, often to the limit, dimensions of existence where the lived
body assumes irredeemable centrality. Grounded on an ethnographic account of
the experiences of blind people, these questions will be grappled with through the
notion of “anguish of corporeal transgression”.
Determinadas experiências de compleição marcadamente corpórea, como
sejam a amputação de um membro, a perda de um sentido ou o surgimento de uma
disfuncionalidade orgânica gravosa, carregam consigo, não custa supor, fortíssimas
implicações para a história pessoal dos sujeitos que as vivenciam. A violência
ontológica passível de decorrer de tais eventos não se confina às implicações biológicas
e fenomenológicas da transformação radical de um corpo/sede, conquanto as
próprias descrições culturais permeiam essa transformação e essa violência. Mas,
por outro lado, este tipo de experiência exprime, em termos gritantes, a insustentabilidade
de determinado construtivismo que, ao procurar elidir o peso moderno
de ideologias essencialistas de “biologia‑como‑destino”, negligenciou, muitas
vezes ao limite, dimensões de existência em que o corpo vivido recolhe insolúvel
centralidade. A partir de uma leitura etnográfica da cegueira, estas questões serão
exploradas através da ideia de “angústia da transgressão corporal”.