Why is circus itinerant? It is certainly much more than the imperative
to survive or a requirement of the performative genre itself. This article proposes
that the itinerancy of circus companies is an established way of life, handed
down from generation to generation, as a part of reproductive strategy that articulates
family organization, professional standing and spatial mobility. By following
the various moments within a journey, we shall try to understand the manner
through which itinerancy becomes part of the lives of these people, providing them with a unique self-perception and vision of the world in which they travel.
In the circus milieu, where administrative frontiers are virtually meaningless
abstractions, itinerancy becomes fundamental in clearly delimiting the symbolic
frontiers of communities.
O que leva o circo a viajar? Mais do que apenas o resultado de um
imperativo de sobrevivência ou um elemento performativo central, este artigo
propõe que a itinerância das companhias constitui uma forma de vida que se
transmite de pais para filhos, num processo de reprodução que articula a organização
familiar, a condição profissional e a mobilidade espacial. Seguindo os
vários momentos da viagem, procurar-se-á compreender de que forma a itinerância
se inscreve nas vidas dos indivíduos, concedendo-lhes uma percepção singular
de si mesmos e do mundo em que vivem. No meio circense, onde as fronteiras
administrativas são pouco mais do que abstrações sem grande importância, a
itinerância constitui o elemento que permite a clara demarcação das fronteiras
simbólicas da comunidade.
Why is circus itinerant? It is certainly much more than the imperative
to survive or a requirement of the performative genre itself. This article proposes
that the itinerancy of circus companies is an established way of life, handed
down from generation to generation, as a part of reproductive strategy that articulates
family organization, professional standing and spatial mobility. By following
the various moments within a journey, we shall try to understand the manner
through which itinerancy becomes part of the lives of these people, providing them with a unique self-perception and vision of the world in which they travel.
In the circus milieu, where administrative frontiers are virtually meaningless
abstractions, itinerancy becomes fundamental in clearly delimiting the symbolic
frontiers of communities.
O que leva o circo a viajar? Mais do que apenas o resultado de um
imperativo de sobrevivência ou um elemento performativo central, este artigo
propõe que a itinerância das companhias constitui uma forma de vida que se
transmite de pais para filhos, num processo de reprodução que articula a organização
familiar, a condição profissional e a mobilidade espacial. Seguindo os
vários momentos da viagem, procurar-se-á compreender de que forma a itinerância
se inscreve nas vidas dos indivíduos, concedendo-lhes uma percepção singular
de si mesmos e do mundo em que vivem. No meio circense, onde as fronteiras
administrativas são pouco mais do que abstrações sem grande importância, a
itinerância constitui o elemento que permite a clara demarcação das fronteiras
simbólicas da comunidade.